Questão 1
Arte Naval: casco, poleame e estabilidade
De acordo com o contido no livro “Arte Naval” (Maurílio M. Fonseca - 7a edição: 2005), analise as afirmativas abaixo, identifique as verdadeiras e assinale a opção correta:
I) Tosamento é a curvatura que apresenta a cinta de um navio quando projetada sobre um plano vertical longitudinal; ele determina a configuração do convés principal e do limite superior do costado.
II) Comprimento de arqueação é a distância medida, paralelamente à linha-d’água projetada, entre os pontos mais salientes da roda de proa e do cadaste, nas partes imersas ou emersas; o gurupés, se existe, ou o leme, se eventualmente se estende para ré da popa, ou peças semelhantes, não são, geralmente, considerados.
III) Alquebramento é a curvatura da quilha, quando apresenta a convexidade para cima. Em geral ocorre como uma deformação permanente causada por fraqueza estrutural ou por avaria.
IV) Pontal é a distância vertical, medida sobre o plano diametral e a meia-nau, entre a linha reta do vau do convés principal e a linha da base moldada.
V) Comprimento de roda a roda é a distância entre as interseções do convés principal com a face de vante da roda de proa e com a face de ré do cadaste, ou com o eixo do leme, se o navio não tiver cadaste bem definido.
- Apenas as afirmativas I), III) e IV) são verdadeiras.
- Apenas as afirmativas II) e IV) são verdadeiras.
- Apenas as afirmativas I), II) e V) são verdadeiras.
- Apenas as afirmativas II) e V) são verdadeiras.
- Apenas as afirmativas I), II) e IV) são verdadeiras.
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Gabarito: A) Apenas as afirmativas I), III) e IV) são verdadeiras.
Verdadeiras: tosamento e a curvatura da cinta vista de lado (define o convés principal) (I); alquebramento e a curvatura da quilha com convexidade para cima, em geral deformação permanente (III); pontal e a distância vertical, a meia-nau, do vau do convés principal a linha base moldada (IV). II e V trocam as definições: a de II e do comprimento de roda a roda (pontos mais salientes da roda e do cadaste), e a de V e do comprimento de registro/arqueação.
Arte Naval, cap. 2 - Geometria do navio
Questão 4
Águas rasas, squat, canais e interação
De acordo com o contido sobre manobra do navio no livro “Shiphandling for the Mariner” (Daniel H. MacElrevey and Daniel E. MacElrevey – 4ª edição: 2004), analise as afirmativas abaixo, identifique as verdadeiras e assinale a opção correta:
I) O diâmetro da curva de giro do navio aumenta em águas rasas.
II) O diâmetro tático do navio aumenta quando as rotações são aumentadas durante uma guinada.
III) Quando um VLCC dá uma forte guinada, há perda de cerca de 40 a 50% de seguimento quando esta guinada atingir 90 graus do rumo inicial.
IV) Para um determinado ângulo de leme e regime de máquinas, a “rate” de guinada do navio não muda quando a profundidade diminui.
- Apenas as afirmativas I) e IV) são verdadeiras.
- Apenas as afirmativas II) e III) são verdadeiras.
- Todas as afirmativas são verdadeiras.
- Apenas a afirmativa II é verdadeira.
- Apenas a afirmativa III é verdadeira.
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Gabarito: A) Apenas as afirmativas I) e IV) são verdadeiras.
I: em águas rasas o diâmetro de giro aumenta. IV: para dado ângulo de leme e regime, a razão de guinada praticamente não muda com a profundidade - o navio gira no mesmo ritmo, mas descreve curva mais aberta. II é falsa: aumentar a rotação durante a guinada não aumenta o diâmetro tático (pode até reduzi-lo, com mais água no leme). III é falsa: a perda de seguimento a 90 graus e de cerca de 25%, não 40-50%.
MacElrevey, Shiphandling for the Mariner
Questão 11
COLREG e regras da navegação interior
O Prático Ari dos Santos realiza uma manobra de praticagem a bordo de um navio de guerra que exibe, além de uma esfera preta na parte de vante, duas luzes circulares brancas, uma na proa e outra na popa, esta em nível mais baixo do que a da proa. Apesar da chuva pesada, Ari consegue avistar as luzes de bordos de uma embarcação que se aproxima em rumo de colisão.
Considerando a situação descrita, as regras do COLREG e o contido na NORMAM- 12/DPC, é correto afirmar que:
- A manobra de praticagem está sendo realizada no período noturno e o navio de guerra encontra-se fundeado.
- A faina de praticagem está sendo realizada no período diurno e o navio de guerra encontra-se fundeado.
- A faina de praticagem está sendo realizada no período noturno e o navio de guerra encontra-se amarrado a uma boia.
- A manobra de praticagem está sendo realizada no período diurno e o navio de guerra encontra-se encalhado.
- A manobra de praticagem está sendo realizada no período diurno e o navio de guerra encontra-se “em movimento”.
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Gabarito: B) A faina de praticagem está sendo realizada no período diurno e o navio de guerra encontra-se fundeado.
A esfera preta a vante e a marca de fundeada - usada de DIA. As duas luzes circulares brancas, a de vante mais alta, são as luzes de fundeio; aparecem de dia porque há chuva pesada: a Regra 20(c) manda exibir as luzes do nascer ao pôr do sol em visibilidade restrita. Logo: faina diurna, navio fundeado.
COLREG/RIPEAM, Regras 20 e 30
Questão 21
Navegação em águas restritas
Um agente de manobra e docagem estará disponível a partir das 07h15 para assessorar a saída de dique de um graneleiro, seguida de atracação no cais do estaleiro. A bacia de evolução em frente ao dique tem profundidade mínima cartografada de 6 m.
Dados: maré semidiurna, sem efeito meteorológico, margem de segurança zero; calado 8 m (águas parelhas); folga mínima abaixo da quilha 1,6 m; tempo entre o início da manobra e a saída da bacia: 30 min.
Extrato da Tábua das Marés: BM 03h38 1,0 m; PM 09h43 5,7 m; BM 15h54 1,1 m; PM 22h00 5,7 m (nível médio 3,43 m).
Entre que horários a manobra pode ser iniciada?
- 07h 15 - 12h 00
- 07h 15 - 12h 30
- 07h 15 - 13h 00
- 07h 50 - 12h 50
- 07h 50 - 13h 20
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Gabarito: A) 07h 15 - 12h 00
Necessário: 8 + 1,6 = 9,6 m; como a carta da 6 m, a maré deve estar em pelo menos 3,6 m durante toda a faina. Na enchente (1,0 -> 5,7 m entre 03h38 e 09h43) os 3,6 m são atingidos antes das 07h15 - o limite inicial e a disponibilidade do agente. Na vazante (5,7 m as 09h43 -> 1,1 m as 15h54), a altura cai a 3,6 m por volta de 12h30 (Tabela II). Como a faina leva 30 min, deve começar até cerca de 12h00. Janela: 07h15 - 12h00.
DHN - Tábuas das Marés, Tabelas I e II
Questão 30
Rebocadores e reboque
De acordo com o contido no livro “Rebocadores Portuários - CONAPRA” (Otávio Fragoso e Marcelo Cajaty - 1ª edição: 2002), analise as afirmativas abaixo e
assinale a opção INCORRETA:
- A principal vantagem dos rebocadores cicloidais (Voith Schneider), além de poderem atuar para vante ou para a ré com a mesma força de tração, é a velocidade com que as alterações do sentido da aplicação e intensidade da força podem ser realizadas.
- Normalmente, os rebocadores azimutais com propulsão a vante possuem maior calado que os rebocadores cicloidais, não sendo, portanto, indicados para manobras em águas de pouca profundidade.
- Em relação aos rebocadores tratores, os tratores reversos e os ASD, devido à localização dos propulsores na popa, correm menor risco de ter esses propulsores atingidos em caso de colisão ou encalhe, assim como operam com menores calados.
- O método de assistência/utilização com cabo de reboque passado na proa do navio é especialmente favorável à atuação dos rebocadores do tipo tratores, pois, tendo os propulsores a vante, conseguem se aproximar da proa do navio.
- Os rebocadores azimutais tipo ASD compartilham as qualidades dos tratores reversos com as dos rebocadores convencionais, o que lhes permite grande flexibilidade na forma de atuação.
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Gabarito: B) Normalmente, os rebocadores azimutais com propulsão a vante possuem maior calado que os rebocadores cicloidais, não sendo, portanto, indicados para manobras em águas de pouca profundidade.
A INCORRETA e a B: os rebocadores CICLOIDAIS (Voith) e que tem maior calado, por causa das pás verticais e da placa de proteção - os tratores azimutais calam menos. As demais estão corretas: o Voith muda direção e intensidade da força muito rápido; ASD e tratores reversos tem propulsores a ré, mais protegidos; tratores favorecem o cabo na proa; ASD combinam qualidades de trator reverso e convencional.
Fragoso e Cajaty, Rebocadores Portuários
Questão 48
Atracação, fundeio e emergências
De acordo com o contido no livro “Naval Shiphandling” (Crenshaw, Russel Sidnor, Jr – 4ª edição: 1975), considere um navio com um único propulsor gerando empuxo adiante com rotação, visto pela popa, para a direita, e movendo-se adiante com velocidade constante. Nessa situação, assuma como forças atuantes no navio apenas o empuxo e a força lateral fornecidos pelo propulsor e a força gerada pelo leme devido a sua deflexão, que tais forças atuam aproximadamente no mesmo ponto próximo à popa e, para efeitos práticos, que o efeito combinado dessas forças seja traduzido por uma única força resultante atuando no propulsor.
Com base nessas premissas,
assinale a opção INCORRETA:
- Quando o leme se encontra a meio, a força resultante tende a guinar o navio para BB.
- Quando leme é defletido 30 graus para esquerda, a força resultante tende a guinar o navio para BB.
- Quando o leme é defletido 30 graus para direita, a força resultante tende a guinar o navio para BE.
- A existência da força lateral permite que o navio guine mais rapidamente para BB do que para BE.
- A existência da força lateral implica que o navio tende a despender mais energia para guinar para BB do que para BE.
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Gabarito: E) A existência da força lateral implica que o navio tende a despender mais energia para guinar para BB do que para BE.
A INCORRETA e a É: com hélice de passo direito avante, a força lateral empurra a popa para BE e a proa para BB. O navio guina MAIS FÁCIL e mais rápido para BB, gastando MENOS energia para esse lado. As demais estão certas: leme a meio, ele tende a cair para BB; com o leme a um bordo, guina para esse bordo.
Crenshaw, Naval Shiphandling, cap. 2